Transplante de Córnea Reabilita Lavrador

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por José Silva – Jornal A TARDE (Agência A Tarde)

Um exemplo de fé e perseverança foi dado pelo lavrador Aloísio Figueiredo, 32, que pela terceira vez, em pouco mais de dois anos, foi submetido a cirurgia de transplante de córnea em Jequié, a 395 km de Salvador. Na primeira, houve rejeição e na segunda, ocorreu falência da córnea transplantada. Sem desistir do sonho de voltar a enxergar, Figueiredo – que perdeu a visão depois que teve o olho esquerdo lesionado por uma farpa de lenha, em 2006 – não conseguia esconder a emoção na terceira tentativa, ocorrida ontem, e executada com êxito após uma hora e meia de cirurgia.

A operação foi realizada pela equipe do oftalmologista Ivonildo Calheira, – composta dele, Dra. Maria celeste santana, também oftalmologista e Dr. Rogério Spínola, anestesiologista – graças a doações de córneas captadas e distribuídas por meio da Central de Órgãos da Bahia (COB). Desde que a parceria foi firmada, em 2003, a equipe já realizou 84 transplantes em Jequié, incluindo o mais recente. A cirurgia é coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com observância da fila única de transplante. Não existe mais discriminação entre paciente, seja particular, de convênio ou encaminhado pelo SUS. A partir do momento em que o paciente entra na fila, ele aguarda apenas pelo chamado porque a córnea já chega em seu nome. A direção do Hospital de Olhos Calheira, onde a cirurgia foi realizada, garante que não tem como se passar na frente, exceto em casos de urgência assegurados em lei.

FAMÍLIA – Enquanto aguardava o procedimento, Figueiredo tentava ler a notícia sobre o transporte da córnea, de Salvador para Jequié. “Meu maior desejo é poder enxergar bem de novo pra continuar trabalhando e ajudar minha família”, disse o lavrador, residente na Fazenda Pau-Ferro, zona rural de Aiquara, a 48 km de Jequié. Como não precisa de internamento, a cirurgia é tipo “Day Hospital”, quando o paciente é operado, fica algm tempo em observação e vai para casa, vindo somente no dia seguinte para curativos.

Foi o que aconteceu com Aloísio, cuja cirurgia foi acompanhada pela equipe de A TARDE. Às 9h05 ele entrou no centro cirúrgico, demonstrando segurança e saiu às 10h35, do mesmo modo. Sentado na cama hospitalar, contava os minutos pra voltar para casa.

Antes, agradecimentos à equipe e à família do doador. “Nem sei como agradecer ao pessoal daqui e à família desse filho de Deus que vai me ajudar a ver a vida como sempre enxerguei”, emocionou-se.

Casado e sem filho, não cansava de falar sobre sua vida no campo e da saudade da lida diária, seja no corte de lenha ou no trato com os animais. “Com fé em Deus ainda vou ter forças pra fazer tudo de novo, agora com mais cuidado”, observou. O olho do lavrador comprometido no incidente com a madeira foi infectado e, por não receber tratamento adequado, o quadro evoluiu para úlcera até a perda da visão. A direção não informou detalhes sobre o doador.

Como usava apenas 50% da visão, o olho direito já estava sobrecarregado, rejeitando luminosidade. “Às vezes incomoda muito e passo a maior parte do dia com o olho fechado. Nem condição de trabalhar eu tive mais”, falou.

Quem já passou pela mesma cirurgia e voltou a enxergar nunca se cansa de agradecer à intervenção médica. É o que sempre faz o comerciário João de Macedo e o funcionário público municipal João Andrade Souza, 59 anos. “Graças a Deus e ao doutor Ivonildo hoje eu posso ler, escrever, dirigir, enfim, fazer tudo normalmente”, testemunha Macedo, inscrito no banco de olhos há quatro anos.

Souza, por sua vez, relata sua experiência com o novo olho há um ano. “É a luz da minha vida”. Sua primeira cirurgia foi para correção de estrabismo, seguida da de catarata e transplante do olho esquerdo. “Estou enxergando muito bem, sem nenhum problema”.

A parceria envolvendo a Auto Viação Camurujipe e a Central de Transplante da Bahia, que propiciou o envio da córnea para Jequié e conseqüente operação de Aloísio Figueiredo, foi muito elogiada pelo doutor Ivonildo Calheira. “Essa ação envolvendo transporte por meio de ônibus vai acelerar ainda mais os trabalhos e reduzir o tempo de espera em fila”, observou. Atualmente, as cirurgias no interior só são feitas em Jequié, com previsão de ampliação para Itabuna, Vitória da Conquista e Barreiras.

Com este transplante, são 84 realizados com córneas provenientes da Central de Transplane da Bahia (desde 2003). Mas o Dr. Ivonildo já realizou 300 transplantes, pois há 19 anos realiza tal procedimento com córneas vindas dos Estados Unidos e outras doadas em Jequié, mesmo antes da existência da Central de Transplantes da Bahia.

3 Comentários to “Transplante de Córnea Reabilita Lavrador”

  1. Eunice Campos Reis de Carvalho comentou:

    Fiquei feliz em ler essa reportagem, pois o meu pai vai fazer um transplante de córneas, está aguardando e ele como todos nós estamos com o coração na mão!! Coloco todos os dias nas mãos de Deus só ele sabe o que faz…
    Ele encherga muito pouco de um olho, pois o outro ele já não encherga mais, então imagine o sofrimento….

  2. ivonildo comentou:

    Cara Eunice:
    Desejo sucesso na cirurgia de transplante de seu pai.
    Ivonildo Calheira

  3. ivonildo comentou:

    Voce se inscreveu pelo Hospital de Olhos Calheira?

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